segunda-feira, 23 de abril de 2012

Santo do Dia



São Jorge
A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta. 

Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil. 

A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque. 

Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão. 

De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano. 

São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente

Evangelho do Dia


Evangelho (João 6,22-29)

Segunda-Feira, 23 de Abril de 2012
3ª Semana da Páscoa


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Depois que Jesus saciara os cinco mil homens, seus discípulos o viram andando sobre o mar. 22No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar constatou que havia só uma barca e que Jesus não tinha subido para ela com os discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos.
23Entretanto, tinham chegado outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão depois de o Senhor ter dado graças. 24Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum.
25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” 29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Comentário
Jesus nos convida a trabalhar “pelo alimento que permanece até a vida eterna”. Veja que, no capítulo seis do Evangelho de João, o tema central é o pão. Jesus, o enviado de Deus, é o pão do céu, da vida eterna. Então, Ele nos diz: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo” (Jo 6,27).
A partir da multiplicação dos pães, Jesus vai fazer uma longa catequese sobre o Pão da vida.  O Senhor tinha matado a fome daquela gente com o alimento que Ele multiplicara no monte, mas o sustento que eles precisavam e que deviam se esforçar para encontrar era Ele próprio, o Senhor, a quem deveriam alcançar pela fé. Acreditar em Jesus e viver dessa fé é alimentar-se para a vida eterna.
A graça de Deus é causa de salvação e a fé é o meio para que ela aconteça. É claro que vários fatores ocasionam a salvação, como o próprio fato de estarmos perdidos, ou o fato de ouvirmos a mensagem do Evangelho. Mas tudo isso são causas imediatas e, por assim dizer, tornam-se meios. A causa primária é o próprio Deus, a Sua graça, a Sua vontade de salvar, o Seu desejo e amor pela humanidade.
Em certo sentido, podemos dizer que a graça é a parte de Deus e a fé é a parte do homem – embora a fé também seja um dom do Senhor. O Pai nos oferece, gratuitamente, a salvação, mas o homem tem a responsabilidade de acreditar e confiar nela, recebê-la. Você precisa crer em Jesus e em Sua Palavra!
Não seja “multidão” – tratada no Evangelho, de hoje, como aquela que pede ou exige de Jesus um sinal forte, um milagre espetacular. O povo estava querendo ou esperando um Messias poderoso, capaz de derrotar os opressores romanos e que lhe garantisse o alimento sem esforço e sem trabalho. Notem que, mais tarde, Jesus vai dizer que “o meu Reino não é deste mundo”.
Daí, a reação de Jesus: “Esforçai-vos pelo alimento que permanece até a vida eterna”. Qual é o alimento que permanece até a vida eterna? Deve ser aquele que chega até lá. Jesus nos disse que era Ele próprio. E o que significará esforçar-se por Ele próprio, isto é, “pelo alimento que permanece até a vida eterna”? Naturalmente, pôr em prática o primeiro e o segundo mandamentos.
Por que Jesus se posicionou dessa maneira? A verdade é que o povo não estava entendo muito bem “qual era a intenção de Jesus”. Ele se apresentou como o único alimento que nos satisfaz plenamente. “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede”.
O Senhor não está falando da sede de um copo de água nem da fome de um prato de comida necessariamente. Mas, sim, da sede e da fome de Deus! Já não há mais necessidade de se embriagar para fugir ou esquecer da realidade sofrida com tantas frustrações, porque aquele que se “embebe” de Jesus – igual a uma esponja embebida em água – não terá necessidade de nenhuma fuga alucinante para se sentir bem.
Conheci uma senhora solteira e incrédula que, quando entrava em depressão, recuperava-se fazendo compras. Há pessoas na mesma situação, mas que se “vingam” comendo e comendo! Outros bebendo uma dúzia de cervejas… E assim por diante. Nada disso adianta, porque longe de Deus não existe felicidade. Só Jesus mata a nossa sede e a nossa fome de querer mais e mais bens materiais e prazeres de todos os tipos existentes nessa vida passageira.
Portanto, se esforce pelo alimento que permanece até a vida eterna. Este alimento, este Pão, é Jesus. Acredite n’Ele! Alimente-se da Sua Palavra, do Seu Corpo e Sangue. Assim, você terá a vida eterna.
Padre Bantu Mendonça