b Bem-aventurada Dulce dos Pobres Maria
Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu no dia 26 de maio de 1914, na
Bahia, Brasil. Era a segunda filha do casal, Augusto Lopes Pontes, e
Dulce Souza Brito, que já tinha quatro outros filhos. Sua mãe morreu
aos vinte e seis anos, quando ela tinha apenas seis anos de idade,
porém, teve uma infância feliz, com os irmãos e os parentes, que
procuravam compensar a grande perda. Certo dia, a menina foi com uma
tia materna visitar os pobres de um convento. Foi diante de tanta
privação e sofrimento que a pequena decidiu: "Quero ser freira e dedicar
minha vida aos pobres". E isso ela nunca esqueceu.
Maria Rita se desenvolveu pouco fisicamente, tornou-se uma mulher
pequenina e de aparência muito frágil. Mas aos dezenove anos, após
diplomar-se professora, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias
da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe e, aos vinte anos, fez
sua profissão religiosa, assumindo o nome de Irmã Dulce, em homenagem à
mãe.
Determinada a atender os mais carentes, voltou à Bahia em 1934,
iniciando um trabalho de assistência à comunidade pobre de Alagados e
Itapagipe. Nesse mesmo ano funda a União Operária São Francisco,
primeiro movimento cristão operário de Salvador. A imprensa começa a
chamá-la de Irmã Dulce dos Pobres, o anjo dos Alagados. Em 1937, fundou o
Círculo Operário da Bahia.
Decidida a acolher os doentes que a procuravam, Irmã Dulce os
abrigava em casas abandonadas e, em seguida, saía em busca de alimentos,
remédios, assistência médica e ajuda financeira dos comerciantes e
pessoas amigas. Seu lema era: "Amar e servir o mais necessitado entre os
necessitados, como se acolhesse
o próprio Cristo".
E, sob esse escudo, Irmã Dulce iniciou seu trabalho assistencial num
albergue improvisado em 1946, no galinheiro do convento das Irmãs
Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, para acolher setenta
doentes que ela havia recolhido nas ruas de Salvador. Atualmente, a
Associação Obras Sociais Irmã Dulce é a maior ONG de saúde no Norte e
Nordeste e a nona do Brasil, atendendo, em seus onze núcleos, mais de um
milhão de carentes por ano, um trabalho inteiramente gratuito. Nessas
Obras Sociais estão portadores de deficiências, idosos, crianças,
adolescentes, mendigos, alcoólicos, toxicômanos e todos os que vivem à
margem da sociedade.
Para construir sua obra, Irmã Dulce contou com o apoio do povo
baiano, de brasileiros dos diversos estados e de personalidades
internacionais. No dia 7 de julho de 1980, Irmã Dulce ouviu do Papa João
Paulo II, na sua primeira visita ao país, o incentivo para prosseguir
com a sua obra. Quatro anos depois fundou a Associação Filhas de Maria
Servas dos Pobres. E em 1988, foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz.
Em 20 de outubro de 1991, na segunda visita ao Brasil, o Papa João
Paulo II fez questão de visitar Irmã Dulce, já bastante debilitada no
seu leito de enferma, no Convento Santo Antônio. Aos 13 de março de
1992, Irmã Dulce faleceu, com setenta e sete anos de idade. A
fragilidade dos últimos trinta anos da sua vida, com a saúde abalada
seriamente, tinha setenta por cento da capacidade respiratória
comprometida, não impediu que ela construísse e mantivesse uma das
maiores e respeitadas instituições filantrópicas do país.
Por esse exemplo de vida, a Igreja Católica abriu o processo para a
beatificação de Irmã Dulce, em 2000. No final da fase diocesana, após um
ano e meio, o Papa João Paulo II a distinguiu como Serva de Deus. E
quando se der sua beatificação, sem dúvida será celebrada uma vida
inteira de testemunho de que a fé e o amor são capazes de superar as
piores dificuldades.
O Memorial Irmã Dulce guarda hoje cerca de dois mil relatos
documentados de graças alcançadas por baianos, pessoas de outros Estados
e até de outros países, concedidas por intercessão de Irmã Dulce, que
atestam a sua fama de santidade ainda em vida e as virtudes heróicas do
"Anjo Bom da Bahia", como a freira, já no final da vida, era
reconhecida.
"Quando nenhum hospital quiser aceitar algum paciente, nós
aceitaremos. Essa é a última porta e por isso eu não posso fechá-la."
Irmã Dulce.
O processo de beatificação teve início em 2000, passando por várias
etapas, em 22 de maio de 2011, Irmã Dulce será proclamada Beata.
"Se fosse preciso, começaria tudo outra vez do mesmo jeito, andando
pelo mesmo caminho de dificuldades, pois a fé, que nunca me abandona, me
daria forças para ir sempre em frente" Irmã Dulce.
O decreto de beatificação de Irmã Dulce foi assinado pelo papa Bento
XVI no dia 10 de dezembro de 2010, após reconhecimento de um milagre da
freira. Ela é a primeira baiana a se tornar beata
A bem-aventurada Dulce dos Pobres terá sua data no calendário litúrgico no dia 13 de agosto.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Evangelho do Dia
Evangelho (Mateus 17,22-27)
Segunda-Feira, 13 de Agosto de 2012
19ª Semana Comum
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 22quando Jesus e os seus discípulos estavam reunidos na Galileia, ele lhes disse: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens. 23Eles o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará”. E os discípulos ficaram muito tristes. 24Quando chegaram a Cafarnaum, os cobradores do imposto do Templo aproximaram-se de Pedro e perguntaram: “O vosso mestre não paga o imposto do Templo?”
25Pedro respondeu; “Sim, paga”. Ao entrar em casa, Jesus adiantou-se, e perguntou: “Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos?” 26Pedro respondeu: “Dos estranhos!” Então Jesus disse: “Logo os filhos são livres. 27Mas, para não escandalizar essa gente, vai ao mar, lança o anzol, e abre a boca do primeiro peixe que pescares. Ali encontrarás uma moeda; pega então a moeda e vai entregá-la a eles, por mim e por ti”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 22quando Jesus e os seus discípulos estavam reunidos na Galileia, ele lhes disse: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens. 23Eles o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará”. E os discípulos ficaram muito tristes. 24Quando chegaram a Cafarnaum, os cobradores do imposto do Templo aproximaram-se de Pedro e perguntaram: “O vosso mestre não paga o imposto do Templo?”
25Pedro respondeu; “Sim, paga”. Ao entrar em casa, Jesus adiantou-se, e perguntou: “Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos?” 26Pedro respondeu: “Dos estranhos!” Então Jesus disse: “Logo os filhos são livres. 27Mas, para não escandalizar essa gente, vai ao mar, lança o anzol, e abre a boca do primeiro peixe que pescares. Ali encontrarás uma moeda; pega então a moeda e vai entregá-la a eles, por mim e por ti”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Jesus abre mão dos Seus
direitos de “Filho do Dono”, até mesmo do poder temporal e econômico. No
Evangelho de hoje, estamos diante de duas situações:
A primeira situação consiste em pagar o
imposto do Templo, o que consiste na entrega de Jesus a Seu Pai; por
isso fala da morte pela qual será necessário passar para poder ter vida
eterna com Ele: “O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e eles vão matá-lo; mas, três dias depois, ele será ressuscitado”.
Todavia, os discípulos não entendem logo de primeira, por isso ficam
tristes. A tristeza deles pode ser também a nossa, quando nos tornamos
inimigos da cruz de Cristo, ao fugirmos do sofrimento e da mortificação
por amor ao Reino dos Céus.
O segundo problema é o imposto imperial.
Partamos do princípio de que “imposto” implica num domínio sobre os bens
de alguém. Por isso, Jesus pergunta a Simão: “O que é que você acha? Quem paga impostos e taxas aos reis deste mundo: os cidadãos do país ou os estrangeiros?”.
A resposta de Pedro foi clara e nos fez ouvir tudo o que deveríamos
sobre como os grandes tiranizam os estrangeiros, os pobres e excluídos
da sociedade.
Eles [os tiranos] fazem uso dos bens que,
em princípio vindos de Deus, deveriam ser bem geridos para o bem comum
de todos os homens e mulheres. Esses recursos são pertenças de Deus,
assim como os homens são filhos d’Ele, antes de ser súditos de qualquer
poder. Se eles tivessem em mente que os benefícios são dos filhos de
Deus e que tudo tem Sua origem e destino, não teriam exigido das pessoas
o pagamento de impostos; portanto, eles não teriam a obrigação de
pagá-los.
O confronto e a ruptura entre Jesus e as
instituições acontecem de forma profunda e decisiva, superando a própria
instituição do Estado e do Templo. Senão, vejamos: o pagamento do
imposto ao Templo era obrigatório para todo israelita, mesmo para os que
habitavam fora da Palestina. Os cobradores de imposto, ao interrogar
Pedro sobre o costume de Jesus a respeito disso, julgavam que Ele se
recusava a pagá-lo, numa forma de ruptura com os esquemas
sócio-religiosos da época. O discípulo lhes responde: “Sim, paga!”. E foi pedir a Jesus a soma suficiente para cumprir essa obrigação.
O Senhor não põe dificuldade, mas reflete
com o discípulo a respeito do que estão fazendo. De fato, por ser Filho
do Dono de tudo, como disse anteriormente, está isento desta obrigação
geral. No entanto, está disposto a abrir mão desse Seu direito. A razão é
simples: embora seja livre e secundário pagá-lo, Ele o faz para evitar
escândalo. Assim, apesar de não fazer sentido, livremente paga, pois era
mais importante não se indispor com os cobradores de impostos em
relação a fé.
A conduta do Mestre revela prudência, ou
seja, evitar escandalizar quem não estiver preparado para defrontar-se
com um gesto de liberdade. Em última análise, Seu pensamento segue numa
direção bem diferente: Jesus mostra, uma vez mais, qual é a verdadeira
missão do Messias, ou seja, dar a própria vida e ressuscitar.
Quantas pessoas, neste mundo, não
conseguem abrir mão de certos direitos que possuem, mesmo quando estão
em jogo a vida, o casamento, o relacionamento, o emprego, só porque tal
pessoa é “isso” ou “aquilo”? Preferem jogar tudo fora, inclusive a vida
do irmão, da irmã, da esposa, do esposo, do funcionário, do colega para
defender os “seus privilégios”.
Peçamos ao Espírito de liberdade que nos
torne capazes de abrir mão de certos direitos quando estiver em jogo os
interesses do Reino dos Céus na vida das pessoas.
Padre Bantu Mendonça
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Santo do Dia
Santa Edith Stein (Tereza Benedita da Cruz)
Edith
Stein nasceu na cidade de Breslau, Alemanha, no dia 12 de outubro de
1891, em uma próspera família de judeus. Aos dois anos, ficou órfã do
pai. A mãe e os irmãos mantiveram a situação financeira estável e a
educaram dentro da religião judaica.
Desde menina, Edith era brilhante nos estudos e mostrou forte determinação, caráter inabalável e muita obstinação. Na adolescência, viveu uma crise: abandonou a escola, as práticas religiosas e a crença consciente em Deus. Depois, terminou os estudos com graduação máxima, recebendo o título de doutora em fenomenologia, em 1916. A Alemanha só concedeu esse título a doze mulheres na última metade do século XX.
Em 1921, ela leu a autobiografia de santa Teresa d'Ávila. Tocada pela luz da fé, converteu-se e foi batizada em 1922. Mas a mãe e os irmãos nunca compreenderam ou aceitaram sua adesão ao catolicismo. A exceção foi sua irmã Rosa, que se converteu e foi batizada no seio da Igreja, após a morte da mãe, em 1936.
Edith Stein começou a servir a Deus com seus talentos acadêmicos. Lecionou numa escola dominicana, foi conferencista em instituições católicas e finalizou como catedrática numa universidade alemã. Em 1933, chegavam ao poder: Hitler e o partido nazista. Todos os professores não-arianos foram demitidos. Por recusar-se a sair do país, os superiores da Ordem do Carmelo a aceitaram como noviça. Em 1934, tomou o hábito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. A sua família não compareceu à cerimônia.
Quatro anos depois, realizou sua profissão solene e perpétua, recebendo o definitivo hábito marrom das carmelitas. A perseguição nazista aos judeus alemães intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irmã Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holandês, pois desejava seguir a vida religiosa. Foi aceita no convento, mas permaneceu como irmã leiga carmelita, não podendo professar os votos religiosos. O momento era desfavorável aos judeus, mesmo para os convertidos cristãos.
A Segunda Guerra Mundial começou e a expansão nazista alastrou-se pela Europa e pelo mundo. A Holanda foi invadida e anexada ao Reich Alemão em 1941. A família de Edith Stein dispersou-se, alguns emigraram e outros desapareceram nos campos de concentração. Os superiores do Carmelo de Echt tentaram transferir Edith e Rosa para um outro, na Suíça, mas as autoridades civis de lá não facilitaram e a burocracia arrastou-se indefinidamente.
Em julho de 1942, publicamente, os bispos holandeses emitiram sua posição formal contra os nazistas e em favor dos judeus. Hitler considerou uma agressão da Igreja Católica local e revidou. Em agosto, dois oficiais nazistas levaram Edith e sua irmã do Carmelo de Echt. No mesmo dia, outros duzentos e quarenta e dois judeus católicos foram deportados para os campos de concentração, como represália do regime nazista à mensagem dos bispos holandeses. As duas irmãs foram levadas em um comboio de carga, junto com outras centenas de judeus e dezenas de convertidos, ao norte da Holanda, para o campo de Westerbork. Lá, Edith Stein, ou a "freira alemã", como a identificaram os sobreviventes, diferenciou-se muito dos outros prisioneiros que se entregaram ao desespero, lamentações ou prostração total. Ela procurava consolar os mais aflitos, levantar o ânimo dos abatidos e cuidar, do melhor modo possível, das crianças. Assim ela viveu alguns dias, suportando com doçura, paciência e conformidade a vontade de Deus, seu intenso sofrimento, e dos demais.
No dia 7 de agosto de 1942, Edith Stein, Rosa e centenas de homens, mulheres e crianças foram de trem para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Dois dias depois, em 9 de agosto, foram mortas na câmara de gás e tiveram seus corpos queimados.
A irmã carmelita Teresa Benedita da Cruz foi canonizada em Roma, em 1998, pelo papa João Paulo II, que indicou sua festa para o dia de sua morte. A solenidade contou com a presença de personalidades ilustres, civis e religiosas, da Alemanha e da Holanda, além de alguns sobreviventes dos campos de concentração que a conheceram e de vários membros da família Stein. No ano seguinte, o mesmo sumo pontífice declarou santa Edith Stein, "co-Padroeira da Europa", junto com santa Brígida e santa Catarina de Sena.
Desde menina, Edith era brilhante nos estudos e mostrou forte determinação, caráter inabalável e muita obstinação. Na adolescência, viveu uma crise: abandonou a escola, as práticas religiosas e a crença consciente em Deus. Depois, terminou os estudos com graduação máxima, recebendo o título de doutora em fenomenologia, em 1916. A Alemanha só concedeu esse título a doze mulheres na última metade do século XX.
Em 1921, ela leu a autobiografia de santa Teresa d'Ávila. Tocada pela luz da fé, converteu-se e foi batizada em 1922. Mas a mãe e os irmãos nunca compreenderam ou aceitaram sua adesão ao catolicismo. A exceção foi sua irmã Rosa, que se converteu e foi batizada no seio da Igreja, após a morte da mãe, em 1936.
Edith Stein começou a servir a Deus com seus talentos acadêmicos. Lecionou numa escola dominicana, foi conferencista em instituições católicas e finalizou como catedrática numa universidade alemã. Em 1933, chegavam ao poder: Hitler e o partido nazista. Todos os professores não-arianos foram demitidos. Por recusar-se a sair do país, os superiores da Ordem do Carmelo a aceitaram como noviça. Em 1934, tomou o hábito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. A sua família não compareceu à cerimônia.
Quatro anos depois, realizou sua profissão solene e perpétua, recebendo o definitivo hábito marrom das carmelitas. A perseguição nazista aos judeus alemães intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irmã Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holandês, pois desejava seguir a vida religiosa. Foi aceita no convento, mas permaneceu como irmã leiga carmelita, não podendo professar os votos religiosos. O momento era desfavorável aos judeus, mesmo para os convertidos cristãos.
A Segunda Guerra Mundial começou e a expansão nazista alastrou-se pela Europa e pelo mundo. A Holanda foi invadida e anexada ao Reich Alemão em 1941. A família de Edith Stein dispersou-se, alguns emigraram e outros desapareceram nos campos de concentração. Os superiores do Carmelo de Echt tentaram transferir Edith e Rosa para um outro, na Suíça, mas as autoridades civis de lá não facilitaram e a burocracia arrastou-se indefinidamente.
Em julho de 1942, publicamente, os bispos holandeses emitiram sua posição formal contra os nazistas e em favor dos judeus. Hitler considerou uma agressão da Igreja Católica local e revidou. Em agosto, dois oficiais nazistas levaram Edith e sua irmã do Carmelo de Echt. No mesmo dia, outros duzentos e quarenta e dois judeus católicos foram deportados para os campos de concentração, como represália do regime nazista à mensagem dos bispos holandeses. As duas irmãs foram levadas em um comboio de carga, junto com outras centenas de judeus e dezenas de convertidos, ao norte da Holanda, para o campo de Westerbork. Lá, Edith Stein, ou a "freira alemã", como a identificaram os sobreviventes, diferenciou-se muito dos outros prisioneiros que se entregaram ao desespero, lamentações ou prostração total. Ela procurava consolar os mais aflitos, levantar o ânimo dos abatidos e cuidar, do melhor modo possível, das crianças. Assim ela viveu alguns dias, suportando com doçura, paciência e conformidade a vontade de Deus, seu intenso sofrimento, e dos demais.
No dia 7 de agosto de 1942, Edith Stein, Rosa e centenas de homens, mulheres e crianças foram de trem para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Dois dias depois, em 9 de agosto, foram mortas na câmara de gás e tiveram seus corpos queimados.
A irmã carmelita Teresa Benedita da Cruz foi canonizada em Roma, em 1998, pelo papa João Paulo II, que indicou sua festa para o dia de sua morte. A solenidade contou com a presença de personalidades ilustres, civis e religiosas, da Alemanha e da Holanda, além de alguns sobreviventes dos campos de concentração que a conheceram e de vários membros da família Stein. No ano seguinte, o mesmo sumo pontífice declarou santa Edith Stein, "co-Padroeira da Europa", junto com santa Brígida e santa Catarina de Sena.
Evangelho do Dia
Evangelho (Mateus 16,13-23)
Quinta-Feira, 9 de Agosto de 2012
18ª Semana Comum
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
20Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. 21Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.
22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
20Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. 21Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.
22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Comentário
Estamos em Cesareia de Filipe. Jesus quer medir o “termômetro” sobre Si, então pergunta aos Seus discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Um profundo silêncio se espalha entre eles e, num tom celestial, Pedro responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
Jesus ganha um adjetivo. Ele é o Cristo, o
Ungido. O termo deriva do fato de, no Antigo Testamento, os reis,
profetas e sacerdotes, no momento de sua eleição, serem consagrados
mediante uma unção com óleo perfumado. Cada vez mais claramente, na
Bíblia, fala-se de um Ungido ou Consagrado especial que virá, nos
últimos tempos, para realizar as promessas da salvação de Deus a seu
povo.
Toda a tradição primitiva da Igreja é
unânime ao proclamar que Jesus de Nazaré é o Messias esperado. Ele
mesmo, segundo Marcos, se proclamará tal ante o Sinédrio. À pergunta do
sumo sacerdote: “És tu o Cristo, o Filho do Bendito?”, Ele responde: “Sim, eu o sou”.
Jesus aceita ser identificado com o
Messias esperado, mas não com a ideia que o Judaísmo havia construído
sobre o messias. Na opinião dominante, este era visto como um líder
político e militar que livraria Israel do domínio pagão e instauraria,
pela força, o Reino de Deus na Terra.
Jesus teve de corrigir, profundamente,
esta ideia compartilhada por Seus próprios apóstolos antes de permitir
que se falasse d’Ele como Messias. A isso se orienta o discurso que
segue imediatamente: “E começou a ensiná-los que o Filho do Homem devia sofrer muito…” A dura palavra dirigida a Pedro, que busca dissuadi-Lo de tais pensamentos: “Afasta-te de mim, Satanás!”
é idêntica à dirigida ao tentador do deserto. Em ambos os casos,
tratam-se, de fato, do mesmo objetivo de desviar-lhe do caminho que o
Pai lhe indicou, o do Servo sofredor de Javé, por outro que é segundo os
homens, não segundo Deus.
Lamentavelmente, temos de constatar que o
erro de Pedro se repetiu na história. Também determinados homens e
mulheres da Igreja se comportaram – em certas épocas – como se o Reino
de Deus fosse deste mundo e como se fosse necessário afirmar-se com a
vitória sobre os inimigos, em vez de fazê-lo com o sofrimento e o
martírio.
Todas as palavras do Evangelho são
atuais, mas o diálogo de Cesareia de Filipe o é de forma todo especial. A
situação não mudou. Também hoje, sobre Jesus há as mais diversas
opiniões das pessoas: um Profeta, um grande Mestre, uma grande
Personalidade. Converteu-se numa moda apresentá-Lo nos espetáculos e nas
novelas, nos costumes e com as mensagens mais estranhas.
No Evangelho, Jesus não parece se
surpreender com as opiniões das pessoas nem se preocupa em desmenti-las.
Só propõe uma pergunta aos discípulos e, assim, o faz também hoje: “Para vós, para você, quem sou eu?”. Existe um salto por dar que não vem da carne nem do sangue, mas que é dom de Deus e é preciso acolhê-lo.
A cada dia, há homens e mulheres que dão
este salto. Às vezes, trata-se de pessoas famosas – atores, atrizes,
homens de cultura – e, então, são notícia. Mas infinitamente mais
numerosos são os crentes desconhecidos. Em certas ocasiões, os
não-crentes interpretam estas conversões como fraqueza, crises
sentimentais ou busca de popularidade e pode dar-se que, em algum caso,
seja assim. Mas seria uma falta de respeito à consciência dos outros
arrojar descrédito sobre cada história de conversão.
Uma coisa é certa: os que deram este
salto não voltarão atrás por nada deste mundo. Mais ainda:
surpreendem-se de ter podido viver tanto tempo sem a luz e a força que
vem da fé em Cristo. Como São Hilário de Poitiers, que se converteu
sendo adulto, estão dispostos a exclamar: “Antes de conhecer-te, eu não existia”.
Tenho de proclamar o Seu Nome: Jesus é o
Cristo, o Filho do Deus vivo! Foi Ele quem nos revelou o Deus invisível.
É Ele o Primogênito de toda a criação, é n’Ele que todas as coisas têm a
sua subsistência. Ele é o Senhor da humanidade e o Seu Redentor que
nasceu, morreu e ressuscitou por nós.
Ele é o centro da história do mundo.
Conhece-nos e nos ama. É o companheiro e amigo da nossa vida, o homem
das dores (Is 53,3) e da esperança. É Aquele que há de vir, que será
finalmente o nosso Juiz e também – assim confiamos – a nossa vida plena e
a nossa beatitude.
Padre Bantu Mendonça
domingo, 5 de agosto de 2012
Reflexão
SILÊNCIO
Clarice Lispector
É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembranças de palavras. Se és morte, como te alcançar.
É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível - sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro - tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz.
Santo do Dia
Santo Osvaldo de Nortúmbria
Osvaldo nasceu em 604. Era filho do rei pagão Etelfrit, da Nortúmbria, futura Inglaterra, e da princesa Acha. O reino foi invadido em 616, quando seu pai morreu na batalha contra o rei Edin, que assumiu o trono e depois fundou a cidade de Edimburgo.
Acha e seus onze filhos fugiram para a Corte do rei da Escócia, onde todos se converteram. As crianças foram entregues aos cuidados dos beneditinos do Mosteiro de Iona, fundado em 563 por são Columbano, famoso centro de formação e estudos. Lá receberam sólida formação acadêmica e religiosa, adequada aos fidalgos e no seguimento de Cristo.
Osvaldo destacava-se pelo belo porte físico, pela inteligência e pela caridade cristã. Tinha um sorriso franco, era bom e generoso, não distinguindo ricos e pobres. Era um hábil e capacitado estrategista militar, treinado pelo pequeno, mas potente exército do rei da Escócia, que muito o apreciava. Curioso mesmo era o seu animal de estimação: um falcão que lhe obedecia e pousava-lhe na mão.
Quando o rei Edin morreu, em 633, Osvaldo formou seu exército, pequeno e eficaz, e venceu a famosa batalha de Havenfield, em 634, com o usurpador tombando morto. Osvaldo assumiu o trono como legítimo rei da Nortúmbria. Contam os registros históricos que antes desse combate ele teve uma visão de são Columbano, que o orientou a rezar junto com seus soldados antes de partir para o combate. Ele obedeceu. Mandou erguer uma grande cruz no centro do campo onde estavam, ajoelhou-se diante dela, pedindo aos soldados, quase todos pagãos, que fizessem o mesmo. Assim postado, com fé e humildade, o futuro rei pediu a Deus proteção e liberdade para seu povo oprimido pelos inimigos.
O rei Osvaldo sempre atribuiu essa vitória à intercessão de são Columbano e à proteção de Cristo. Depois de coroado, todo o exército converteu-se. Mandou chamar os monges escoceses do Mosteiro de Iona para pregarem o Evangelho no seu reino. Ele mesmo traduzia para o povo os sermões, conseguindo muitas conversões. Construiu igrejas, mosteiros, cemitérios, hospitais, asilos e creches, distribuiu riquezas e promoveu prosperidade e caridade ao povo.
Casou-se com a princesa Cineburga, filha do rei pagão de Wessex, hoje também Inglaterra. Em seguida, convenceu o sogro a permitir uma missão evangelizadora de monges escoceses no seu reino, que acabaram convertendo esse rei também. A Igreja deve à fé do rei Osvaldo o grande impulso para a evangelização do povo inglês e o estabelecimento da vida monástica na ilha britânica. O rei da Nortúmbria morreu em combate em 642, defendendo o seu povo de invasores pagãos.
Amado e venerado como santo em vida, a fama de sua santidade ganhou destaque junto aos povos de língua inglesa graças à divulgação dos monges beneditinos. Depois, o venerável Beda, monge famoso pela santidade e sabedoria na doutrina, reivindicou o título de mártir a santo Osvaldo da Nortúmbria, por ter morrido em combate contra os pagãos. Sua festa é uma tradição antiga, e a Igreja manteve a celebração no dia 5 de agosto.
Acha e seus onze filhos fugiram para a Corte do rei da Escócia, onde todos se converteram. As crianças foram entregues aos cuidados dos beneditinos do Mosteiro de Iona, fundado em 563 por são Columbano, famoso centro de formação e estudos. Lá receberam sólida formação acadêmica e religiosa, adequada aos fidalgos e no seguimento de Cristo.
Osvaldo destacava-se pelo belo porte físico, pela inteligência e pela caridade cristã. Tinha um sorriso franco, era bom e generoso, não distinguindo ricos e pobres. Era um hábil e capacitado estrategista militar, treinado pelo pequeno, mas potente exército do rei da Escócia, que muito o apreciava. Curioso mesmo era o seu animal de estimação: um falcão que lhe obedecia e pousava-lhe na mão.
Quando o rei Edin morreu, em 633, Osvaldo formou seu exército, pequeno e eficaz, e venceu a famosa batalha de Havenfield, em 634, com o usurpador tombando morto. Osvaldo assumiu o trono como legítimo rei da Nortúmbria. Contam os registros históricos que antes desse combate ele teve uma visão de são Columbano, que o orientou a rezar junto com seus soldados antes de partir para o combate. Ele obedeceu. Mandou erguer uma grande cruz no centro do campo onde estavam, ajoelhou-se diante dela, pedindo aos soldados, quase todos pagãos, que fizessem o mesmo. Assim postado, com fé e humildade, o futuro rei pediu a Deus proteção e liberdade para seu povo oprimido pelos inimigos.
O rei Osvaldo sempre atribuiu essa vitória à intercessão de são Columbano e à proteção de Cristo. Depois de coroado, todo o exército converteu-se. Mandou chamar os monges escoceses do Mosteiro de Iona para pregarem o Evangelho no seu reino. Ele mesmo traduzia para o povo os sermões, conseguindo muitas conversões. Construiu igrejas, mosteiros, cemitérios, hospitais, asilos e creches, distribuiu riquezas e promoveu prosperidade e caridade ao povo.
Casou-se com a princesa Cineburga, filha do rei pagão de Wessex, hoje também Inglaterra. Em seguida, convenceu o sogro a permitir uma missão evangelizadora de monges escoceses no seu reino, que acabaram convertendo esse rei também. A Igreja deve à fé do rei Osvaldo o grande impulso para a evangelização do povo inglês e o estabelecimento da vida monástica na ilha britânica. O rei da Nortúmbria morreu em combate em 642, defendendo o seu povo de invasores pagãos.
Amado e venerado como santo em vida, a fama de sua santidade ganhou destaque junto aos povos de língua inglesa graças à divulgação dos monges beneditinos. Depois, o venerável Beda, monge famoso pela santidade e sabedoria na doutrina, reivindicou o título de mártir a santo Osvaldo da Nortúmbria, por ter morrido em combate contra os pagãos. Sua festa é uma tradição antiga, e a Igreja manteve a celebração no dia 5 de agosto.
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