sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Santo do Dia

                                                                     Santa Escolástica
O nome de Santa Escolástica, irmã de São Bento, nos leva para o século V, para o primeiro mosteiro feminino ocidental, fundamentado na vida em comum, conceito introduzido na vida dos monges por ele. Foi o primeiro a orientar para servir a Deus não "fugindo do mundo" através da solidão ou da penitência itinerante, como os monges orientais, mas vivendo em comunidade duradoura e organizada, e dividindo rigorosamente o próprio tempo entre a oração, trabalho ou estudo e repouso.

Escolástica e Bento, irmãos gêmeos, nasceram em Nórcia, região central da Itália, em 480. Eram filhos de nobres, o pai Eupróprio ficou viúvo quando eles nasceram, pois a esposa morreu durante o parto. Ainda jovem Escolástica se consagrou a Deus com o voto de castidade, antes mesmo do irmão, que estudava retórica em Roma. Mais tarde, Bento fundou o mosteiro de Monte Cassino criando a Ordem dos monges beneditinos. Escolástica, inspirada por ele, fundou um mosteiro, de irmãs, com um pequeno grupo de jovens consagradas. Estava criada a Ordem das beneditinas, que recebeu este nome em homenagem ao irmão, seu grande incentivador e que elaborou as Regras da comunidade.

São muito poucos os dados da vida de Escolástica, e foram escritos quarenta anos depois de sua morte, pelo o santo papa Gregório Magno, que era um beneditino. Ele recolheu alguns depoimentos de testemunhas vivas para o seu livro "Diálogos" e escreveu sobre ela apenas como uma referência na vida de Bento, mais como uma sombra do grande irmão, pai dos monges ocidentais.

Nesta página expressiva contou que, mesmo vivendo em mosteiros próximos, os dois irmãos só se encontravam uma vez por ano, para manterem o espírito de mortificação e elevação da experiência espiritual. Isto ocorria na Páscoa e numa propriedade do mosteiro do irmão. Certa vez, Escolástica foi ao seu encontro acompanhada por um pequeno grupo de irmãs, quando Bento chegou também acompanhado por alguns discípulos. Passaram todo o dia conversando sobre assuntos espirituais e sobre as atividades da Igreja.

Quando anoiteceu, Bento, muito rigoroso às Regras disse à irmã que era hora de se despedirem. Mas Escolástica pediu que ficasse para passarem a noite, todos juntos, conversando e rezando. Bento se manteve intransigente dizendo que deveria ir para suas obrigações. Neste momento ela se pôs a rezar com tal fervor que uma grande tempestade se formou com raios e uma chuva forte caiu a noite toda, e ele teve de ficar. Os dois irmãos puderam conversar a noite inteira. No dia seguinte o sol apareceu, eles se despediram e cada grupo voltou para o seu mosteiro. Essa seria a última vez que os dois se veriam.

Três dias depois, em seu mosteiro Bento recebeu a notícia da morte de Escolástica, enquanto rezava olhando para o céu, viu a alma de sua irmã, penetrar no paraíso em forma de pomba. Bento mandou buscar o seu corpo e o colocou na sepultura que havia preparado para si. Ela morreu em 10 de fevereiro de 547, quarenta dias antes que seu venerado irmão Bento. Escolástica foi considerada a primeira monja beneditina e Santa, pela Igreja que escolheu o dia de sua morte para as homenagens litúrgicas

Evangelho do Dia

Evangelho (Marcos 7,31-37)

Sexta-Feira, 10 de Fevereiro de 2012
Santa Escolástica


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor. 

Comentário
O primeiro catecismo da comunidade cristã é o Evangelho de Marcos, cujo objetivo é responder à pergunta “Quem é Jesus?”, a partir daquilo que Ele fez e ensinou. Assim sendo, na sua catequese, Marcos quer, ao mesmo tempo, mostrar o que significa tornar-se discípulo de Jesus. A resposta vai sendo dada aos poucos, à medida que as pessoas se comprometem com o projeto de Deus, atuando numa prática libertadora que traduza a presença e a ação de Deus na história. Só assim as pessoas acabarão descobrindo e confessando que “verdadeiramente este homem é Filho de Deus”.
No texto de hoje, novamente vemos Jesus percorrendo regiões pagãs: Tiro, Sidônia e a região da Decápole. Com essas informações, Marcos quer mostrar aos que iniciam sua caminhada de discípulos o interesse que Cristo teve para com os pagãos, fazendo deles membros da família de Deus. E neles estamos todos nós.
A expressão “Efatá” – que quer dizer “abre-te” – fazia parte da liturgia batismal da Igreja primitiva. Para o que iniciava sua caminhada de discípulo, para mim e para você no dia de hoje, Jesus quer fazer o mesmo que fez com aquele surdo do Evangelho.
Jesus é Aquele que abre os ouvidos e a boca das pessoas. Como vimos no texto de hoje, tratava-se de uma pessoa incapaz de ouvir, de dar o seu consentimento, de testemunhar. Jesus o leva para fora da multidão.
Poderíamos nos perguntar qual seria o sentido desse gesto. Será que o Senhor queria esconder Seu poder de cura? Pastoralmente falando, o fato tem o seguinte significado: Jesus cura o surdo-mudo longe da multidão para que este se sinta, depois, responsável pelo anúncio daquilo que o Senhor lhe fez tornando-se, por sua vez, evangelizador, ou seja, portador da Boa Nova de que “verdadeiramente este homem é Filho de Deus”. Assim, esta deve ser a nossa atitude. Jesus nos consagra para a Sua missão.
Jesus cura o surdo-mudo tocando-o. Coloca-lhe os dedos nos ouvidos e, com a saliva, lhe toca a língua. A saliva sempre teve, no mundo antigo, caráter terapêutico. Por outro lado, também o contato de Cristo com o surdo-mudo é importante. O Senhor, ao tocar o surdo-mudo, é o próprio Deus que se ocupa de quem não podia ouvir nem falar, ou seja, Ele está reintegrando em sua dignidade e identidade alguém que fora privado da vida.
Com isso, Marcos provoca os que iniciam a caminhada de fé para fazerem a seguinte constatação: Jesus é Aquele que, anunciado em Isaías, abre agora os ouvidos e a boca das pessoas, para que possam testemunhá-Lo. Interessante, ainda, é notar que o Senhor toca primeiro os ouvidos e depois a boca: a catequese é primeiramente escuta, assimilação; a seguir, como consequência, é anúncio.
Mas não são os gestos de Jesus que curam o surdo-mudo e, sim, Sua Palavra. Depois que Cristo Jesus ordenou: “Abre-te!” é que os ouvidos daquele homem se abriram e sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Com isso, Marcos esclarece a ação de Jesus. Ele não é um mágico. Só Sua Palavra liberta e reintegra. E as pessoas não precisam de rituais ou de magia para abrir os ouvidos e anunciar que Ele é o Messias.
Interessante, ainda, é perceber que antes de curar o surdo-mudo, Jesus “olha para o céu e suspira”. Quero que juntos vejamos no suspiro de Jesus um gesto de indignação diante da situação em que se encontram tantas pessoas marginalizadas, quer sejam nossos parentes ou não.
Após ter curado o surdo-mudo, Jesus ordena à multidão que não espalhe a notícia. Isso faz parte do plano de Marcos. Seu Evangelho é uma catequese progressiva e é impossível as pessoas darem pleno testemunho de “quem é Jesus” sem passar pela mesma prática, sem ir com Ele até o fim, na cruz e na Ressurreição. De fato, só ao pé da cruz é que se faz a verdadeira revelação de quem Ele é.
O surdo-mudo curado anuncia à multidão o que Jesus Cristo significa para ele. E esta, por sua vez, espalha a notícia aos outros: “Quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam”. Isso faz pensar na progressão que nosso testemunho sofre à medida que nos comprometemos sempre mais com o projeto de Deus.
E você? O que tem feito para que o Evangelho de Cristo chegue a todos os homens e mulheres?
A multidão proclama que Jesus “tem feito bem todas as coisas: aos surdos fez ouvir e aos mudos falar”. Essa proclamação recorda duas coisas. Em primeiro lugar, relembra o projeto de Deus na criação. Depois de ter criado todas as coisas, o Altíssimo gostou do que fez e viu que estava tudo muito bem feito (cf. Gn 1,31). Em segundo lugar, evoca Isaías 35,4.
Tudo isso é atribuído a Jesus. Ele vem de Deus e traz a Salvação. Portanto, quem é Jesus? É Aquele que cria o mundo novo. É Aquele que, vindo de Deus, devolve vida e liberdade aos oprimidos e mutilados pela sociedade. Cabem, portanto, algumas perguntas: Quem é que “cria” surdos e mudos, ou seja, uma multidão impossibilitada de ouvir e de falar? Quem mantém o povo nessa situação? Os acontecimentos da vida social ajudam o povo a sair da situação de surdo-mudo em que se encontra?
Não se esqueça: o Evangelho de Marcos é um alerta para nós que nos dizemos cristãos. Saiba que, pela Palavra e pelo toque de Jesus, o próprio surdo-mudo, depois de curado, torna-se um evangelizador. Este é um grande desafio para nós que ouvimos a Sua Palavra e fomos tocamos por Ele e, por isso, cremos ser cristãos maduros e comprometidos.
Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Santo do Dia

                                                                   Santa Apolônia
Os seis anos de 243 a 249, durante os quais o rumo do Império Romano ficou sob a direção de Felipe o Árabe, foram considerados: um intervalo de trégua do regime do anticristianismo. No último ano, porém, houve um episódio que comprovou que a aversão aos cristãos, pelo menos na província africana, não havia desaparecido.

O ocorrido era narrado por Dionísio, o bispo da Alexandria no Egito, em uma carta que enviou ao bispo Fabio da diocese de Antioquia, em 249. Na carta ele escreveu que: "No dia 9 de fevereiro, um charlatão alexandrino, "maligno adivinho e falso profeta", que insuflava a população pagã, sempre pronta a se agitar, provocou uma terrível revolta. As casas dos cristãos foram invadidas. Os pagãos saquearam os vizinhos católicos ou aqueles que estivessem mais próximos, levando as jóias e objetos preciosos. Os móveis e as roupas foram levados para uma praça, onde ergueram uma grande fogueira. Os cristãos, mesmo os velhos e as crianças, foram arrastados pelas ruas, espancados, escorraçados e, condenados a morte, caso não renegassem a fé em voz alta. A cidade parecia que tinha sido tomada por uma multidão de demônios enfurecidos".

"Os pagãos prenderam também a bondosa virgem Apolônia, que tinha idade avançada. Foi espancada violentamente no rosto porque se recusava a repetir as blasfêmias contra a Igreja, por isto teve os dentes arrancados. Além disso, foi arrastada até a grande fogueira, que ardia no centro da cidade. No meio da multidão enlouquecida, disseram que seria queimada viva se não repetisse, em voz alta, uma declaração pagã renunciando a fé em Cristo. Neste instante, ela pediu para ser solta por um momento, sendo atendida ela saltou rapidamente na fogueira, sendo consumida pelo fogo."

O martírio da virgem Apolônia, que terminou aparentemente em suicídio, causou, exatamente por isto, um grande questionamento dentro da Igreja, que passou a avaliar se era correto e lícito, se entregar voluntariamente à morte para não renegar a fé. Esta dúvida encontrou eco também no livro " A cidade de Deus" de Santo Agostinho, que também não apresentou uma posição definida.

Contudo, o gesto da mártir Apolônia, a sua vida reclusa dedicada à caridade cristã, provocou grande emoção e devoção na província africana inteira, onde ela consumou o seu sacrifício. Passou a ser venerada, porque foi justamente o seu apostolado desenvolvido entre os pobres da comunidade que a colocou na mira do ódio e da perseguição dos pagãos, e o seu culto se difundiu pelas dioceses no Oriente e no Ocidente.

Em várias cidades européias surgiram igrejas dedicadas a ela. Em Roma foi erguida uma igreja, hoje desaparecida, próxima de Santa Maria em Trasteve, Itália.

Sobre a sua vida não se teve outro registro, senão que seus devotos a elegeram, no decorrer dos tempos, como protetora contra as doenças da boca e das dores dos dentes. Mas restou seu exemplo de generosa e incondicional oferta a Cristo. A Igreja a canonizou e oficializou seu culto conforme a data citada na carta do bispo Dionísio.

Evangelho do Dia

Evangelho (Marcos 7,24-30)

Quinta-Feira, 9 de Fevereiro de 2012
5ª Semana Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido.
25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.
28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”.
29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor. 
 
Comentário
Jesus e os Seus discípulos estavam sob uma considerável pressão, pois a hostilidade dos judeus intensificava-se. Assim, o Mestre e os Seus seguidores retiraram-se para as fronteiras de Tiro e Sidônia e, não querendo que alguém soubesse disso, o Senhor entrou numa casa onde esperava encontrar alguma privacidade.
Mas, significativamente, Jesus não pode ficar escondido, porque a Sua mensagem era demasiado maravilhosa e os Seus feitos demasiado poderosos para serem ocultados.
Trata-se do Sumo Bem personalizado em Jesus, por isso, não se pode esconder seja a quem for. Sua fama precedia-O aonde quer que Ele fosse.
Dentro dessa visão, uma mulher com o coração despedaçado O procura e O descobre. Ela era de origem cananeia, isto é, tinha raízes pagãs. A mulher estava extremamente aflita devido ao fato de sua filha estar possuída por um demônio que lamentavelmente a atormentava.
Tendo em vista o pedido que queria fazer, esta mãe ansiosa seguiu Cristo e os que O acompanhavam, tendo–Lhe rogado que tivesse compaixão dela e curasse a sua filha. Muitos pensam que o Senhor a tratou de uma forma descuidada, quase rudemente. No entanto, esse ponto de vista não tem qualquer fundamento.
Uma análise mais cuidadosa revela que Cristo conhecia a qualidade da alma dessa mulher e Ele a desafiou a amadurecer. De um modo maravilhoso, o Mestre colocou vários obstáculos no caminho da cananeia. E cada um destes obstáculos ela superou com uma fé radiante. Finalmente, Jesus exclamou: “Ó mulher, grande é a tua fé!” e Ele curou a sua filha sem nem sequer ter colocado os olhos sobre a criança. Que qualidades caracterizavam a fé dessa mulher, a ponto de receber tão grande elogio por parte do Salvador?
Ela, embora com antecedentes pagãos, tinha obviamente conhecimento em relação ao Filho de Deus. Isso é evidenciado pelo fato de ela tratar Jesus como “Senhor, filho de Davi”.
Onde teria ela aprendido sobre o Filho de Deus? Teria ela ouvido alguém falar sobre Ele? Teria ela viajado para a Galileia, estando presente entre as multidões que O seguiam? Essas perguntas devem permanecer sem resposta. O fato é que ela acreditou.
Jesus ensinou em uma ocasião: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.”. As formas verbais denotam ação contínua, persistência. Essa senhora encantadora entendeu bem esse princípio, tanto que a sua fé era da mais tenaz.
Conforme sugerido anteriormente, com a intenção de aumentar e testar a sua fé, o Senhor colocou pequenas barreiras no caminho dessa mulher, mas ela as superou uma a uma. Isso é uma evidência clara da percepção divina de Cristo, que penetrava através da essência da alma dessa mulher. Ela era uma pessoa forte, mas este encontro com o Filho de Deus a tornaria ainda mais forte.
Os discípulos sugeriram que Cristo concedesse apressadamente o pedido da mulher para que ela os deixasse em paz. Com certeza, essa foi a intenção do pedido feito pelos discípulos. E isso está claramente implícito na natureza da resposta dada pelo Senhor. Jesus respondeu que Ele havia sido enviado apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel. E isso excluía essa mulher gentia. Mas ela não desistiu!
Cristo disse-lhe: “Deixa que primeiro se fartem os filhos; porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”. Muitos se queixam de que nessa ocasião o Senhor usou uma linguagem ofensiva aos gentios, mas o termo grego utilizado para a palavra “cães” é diminutivo, significando um pequeno cachorrinho de estimação. A expressão não é áspera como poderia parecer.
Então, essa mulher perseverante “agarrou-se” ao significado da palavra “primeiro”. Sendo certo que ela reconheceu a prioridade dos judeus no plano do Deus, claramente ela detectou a inferência de que os gentios no futuro também receberiam a benevolência do Salvador, tendo pensado provavelmente: “Por que não agora?”
Desse modo, com um argumento brilhante, ela contrapôs: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos”. Ela ficaria satisfeita com apenas uma migalha da mesa do seu Mestre. Que grande mulher! Ela agarrou-se firmemente à Misericórdia Divina, não sendo de admirar que o Salvador tivesse elogiado a sua grande fé!
Embora a mulher siro-fenícia tivesse rogado ao Senhor dizendo: “Tem compaixão de mim”, de fato, o pedido foi para a sua filha. A sua paixão estava tão dirigida para a sua filhinha que ela colocou de lado quaisquer necessidades pessoais e sentimento ede orgulho e implorou pelo bem-estar da sua criança aflita. A história de um espírito tão disposto ao sacrifício é deveras refrescante nestes dias, quando o abuso infantil é um drama tão comum.
Essa mulher entendeu bem o conceito de que uma fé sem obras está morta. Embora não lhe tivessem pedido para executar nenhum ato específico de obediência, quando Cristo visitou a sua região, ela buscou-O, seguiu-O, adorou-O, apelou para Ele e argumentou com Ele. Se ela tivesse atuado segundo a premissa de que “contanto que acredite que isso seja assim, assim será”, a sua filha teria permanecido na mesma situação deplorável.
É uma grande verdade que, segundo o Novo Testamento, nenhuma pessoa foi alguma vez abençoada por causa da sua fé pessoal, sem que essa fé tivesse sido manifestada em ações.
Quão triste teria sido se esta estimável mulher tivesse raciocinado do seguinte modo: “Sou gentia, uma mera mulher sem nenhuma reputação. Quem sou eu para receber qualquer bênção deste importante Nazareno?” Tivesse sido esse o caso, ela não teria pedido e, por conseguinte, não teria recebido!
Essa mulher anônima deve inspirar a minha e a sua fé. A sua fé resoluta e destemida faz com que Jesus, por intermédio dela, diga também a mim e você neste dia: “Grande é a tua fé!”
Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Salmo

Santo do Dia

                                                               Santo Jerônimo Emiliano
Jerônimo Emiliani, de nobre família, nasceu em Veneza, Itália, em 1486. Sua juventude foi bastante tumultuada, com comportamentos mundanos e desregrados. Desde os quinze anos serviu como soldado e durante muito tempo foi mantido como prisioneiro pelo exército imperial de Treviso. Neste período, ele foi envolvido numa forte experiência de conversão. Atormentado pela memória de seus pecados, reconheceu em Cristo Crucificado o amor misericordioso do Pai.

Quando saiu em liberdade, se desfez de toda a fortuna e se consagrou a uma missão muito especial, baseada na revelação da paternidade divina: compartilhar e viver em comunidade com os órfãos, os pobres e os doentes. Assim, em 1531 fundou um instituto de religiosos na cidade de Somasca, Itália. Logo foram chamados de "padres Somascos". Jerônimo Emiliani permaneceu leigo e dedicou sua existência a Deus e à caridade. Seus trabalhos solidários se estendiam aos doentes e miseráveis como também as crianças órfãs e às prostitutas.

A motivação da sua vida espiritual foi o desejo de devolver a Igreja ao estado de santidade das primeiras comunidades cristãs. Este mesmo ideal determinou o modo de organizar a vida das casas que acolhiam os órfãos. O grupo religioso se destacou por proporcionar educação gratuita aos menores abandonados e órfãos. Dos muitos colaboradores que se aproximaram dele, alguns tomaram a decisão de seguir o seu estilo de vida. Assim nascia a Companhia dos Servos dos Pobres.

Prestes a morrer, Jerônimo Emiliani transmitiu a seus discípulos um testamento que sintetizava sua experiência espiritual e representava, ao mesmo tempo, um itinerário de vida cristã: "Segui o caminho do Crucificado, desprezai a iniqüidade, amai-vos uns aos outros e servi aos pobres".

Jerônimo Emiliani faleceu na cidade de Somasca, Itália, no dia 8 de fevereiro de 1537, vitimado pela peste que contraiu servindo aos doentes durante uma epidemia que se alastrou na cidade. Apesar disso cuidou dos enfermos até os últimos momentos de sua vida.

O papa Santo Pio V, em 1568 oficializou a Ordem dos Religiosos de Somasca. Jerônimo Emiliani foi canonizado em 1767 e o dia 8 de Fevereiro escolhido para a sua homenagem. Em 1928, o Papa Pio XI o declarou Padroeiro dos órfãos e das crianças abandonadas.

Evangelho do Dia

Evangelho (Marcos 7,14-23)

Quarta-Feira, 8 de Fevereiro de 2012
5ª Semana Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e compreendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 16Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.
17Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. 18Jesus lhes disse: “Será que nem vós compreendeis? Não entendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, 19porque não entra em seu coração, mas em seu estômago e vai para a fossa?” Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros.
20Ele disse: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.


- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor. 
 
Comentário
No Evangelho de hoje, Marcos nos mostra que o processo de contaminação pela impureza era uma questão grave, que ultrapassava toda a imaginação dos escribas e fariseus. Eles temiam ficar impuros pelo contato físico com coisas e pessoas. Dessa forma, conduzidos por um pensamento tão equivocado, não percebiam os verdadeiros agentes da contaminação.
Era urgente que Jesus lhes apontasse em que consistiam os elementos contaminadores e onde estes estavam. Segundo nos ensina o Messias, o que contamina o homem não está fora dele, mas sim no mais íntimo de seu coração. Infelizmente, não é fácil se precaver quando não se tem um coração puro. Daí provêm as impurezas que incapacitam o ser humano para um relacionamento adequado com Deus.
É relativamente fácil segregar-se das coisas e pessoas tidas como “transmissoras da impureza”. Por outro lado, é extremamente difícil manter a devida distância do que sai da pessoa e tem o poder de contaminá-la. Vigilância e discernimento são duas atitudes imprescindíveis. Sem elas, a hipocrisia apodera-se da ação humana. Não raro, a pessoa fiel às regras de purificação acaba sendo a mesma que nutre maus pensamentos contra o próximo.
O discípulo do Reino de Deus previne-se contra esta falta de autenticidade. Dele se exige, em primeiro lugar, a purificação das motivações de sua ação. Seu agir deve brotar de um coração puro, sem dolo nem “má fé”; e buscar unicamente o bem do próximo. Essa é a pureza requerida por Deus. A outra se reduz à mera questão de higiene, sem a menor relevância.
Portanto, somente somos verdadeiros discípulos quando trazemos e nutrimos no coração uma experiência inspirada nos sentimentos do coração de Deus. A interioridade é, na verdade, a força sustentadora da autêntica experiência de fé, do culto a Deus e da sinceridade no relacionamento com os outros. Jesus pede dos Seus discípulos esta construção e esta conquista. O “de fora” se sustenta autenticamente a partir do que está no fundo do coração. Manter as aparências e enganar é hipocrisia.
Cristo recorda – em linguagem bem direta – que o que sai do interior é que é impuro: as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. E conclui: “Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.
“A mais longa jornada é a jornada interior”, escreveu Dag Hammerskjold. Como isso é verdade! Jesus entendeu as condições do coração humano. O que, em nosso interior, pode realmente nos fazer necessitar de uma “cirurgia espiritual do coração”.
De nossos corações vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, crimes, violência, cobiça, más intenções, fraudes e muito mais. Corramos em direção ao “maior Cirurgião de todos os tempos” – Jesus Cristo – para que Ele faça um novo transplante do nosso coração. Que o Senhor arranque de nós o coração de pedra e nos dê um coração de carne!
Senhor Jesus, tira-me o coração velho e me revista de um novo coração capaz de amar e perdoar até os meus inimigos e perseguidores. Capaz de compreender, acolher, dialogar e, sobretudo, a não olhar somente o exterior, mas sim o interior, preocupando-me com a sua purificação contínua. JESUS, MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI O MEU CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO. FAZEI-ME VIVER O AMOR E A RECONCILIAÇÃO. AMÉM!
Padre Bantu Mendonça